Eu queria ter sido para você aquele amor transmissível pelo ardor da febre em meio a alucinações, que fazem tudo fazer sentido. Mas como também ser sua cura, se você se nega a me ver como sou?
Eu queria ter sido para você suficiente e genuína, mas sei o quanto nós mesmos nos esforçamos para caber onde não deveríamos estar. Muita coisa aconteceu desde quando nos conhecemos e eu me divido agora entre redenção, entendimento, raiva, revolta e compreensão. E enquanto eu não quero me deitar e sonhar com um amor destruído por filhos não nascidos, permaneço acordada a noite inteira.
Eu queria ter sido para você motivo suficiente para se desligar de padrões e velhos paradigmas, mas tento aceitar agora seu tempo e seu espaço de autoconhecimento.
Eu queria ter sido para você o maior motivo para ficar, mas você ficou e mesmo assim não foi por mim.
Eu queria ter sido para você a casa bagunçada com as nossas roupas pelo chão, mas de repente nos perdemos com preocupações futuras e não vivemos o presente.
Eu queria ter sido para você aquela dança que nunca deveríamos ter deixado para depois e que no fim nunca aconteceu.
