
Já havia percebido que conviver com esses seres que não sabem diferenciar bonina de marrom, que fazem xixi em qualquer lugar e que falam o que querem e na hora que querem não seria fácil. Desde muito cedo notou que teria problemas com eles. Seu futuro não foi diferente das suas previsões.
Não havia um tipo que gostasse mais. Gostava de todos. E em cada época se apegava a um. Gostou dos mais novos e cheios de novidades. Dos mais velhos e mais contidos. Dos altos, baixos, morenos, loiros, magros, fortes, ... Gostou dos amigos de escola, colegas de trabalho, professores, desconhecidos, vizinhos, amigos dos amigos, primos das amigas ... Até que um dia se deu conta que não conseguia ficar por muito tempo com nenhum deles. Por mais lindos que fossem ou por mais educados e inteligentes que parecessem ser, se sentia sufocada, com seus passos vigiados e o que é pior: sempre se via atraída por outra pessoa fora do relacionamento.
Muitas vezes, preferiu ficar sozinha. Pensava em um modo de resolver aquilo que, para todos, era o seu problema. As pessoas lhe cobravam isso, embora parecesse algo impossível de se cumprir, não só para ela como para muita gente que conhecia. Ela sabia que seus vizinhos não eram fiéis às esposas, tampouco seus colegas de trabalho.
Ao seu redor, sempre ouviu longas histórias sobre traição e nunca foi capaz de trair. Nem mesmo completamente apaixonada por um homem comprometido conseguiu dar continuidade ao relacionamento. Chegou ao ponto de preocupar-se mais com a mulher que o esperava em casa, do que com a sua própria paixão. Quase enlouquecera. Vivia todos os dias em Crime e Castigo, Closer e Match Point. Teve sua paz roubada.
Não desistiu de tentar permanecer com alguém em tentativas que contrariavam a sua natureza. Se apaixonar era fácil, mas se manter apaixonada por um só, suportar a intimidade no dia-a-dia e resistir até o final era o grande desafio.

