Um primeiro ano longe de sentimentos verdadeiros, recíprocos e intensos. Em que a visão de mundo se baseia em uma observação não participante. Distante, parcial, depressiva e negativa. Em que as poucas pessoas ao redor não são capazes de representar companhia, mas significam apenas meros passageiros de um cenário bucólico, invernal e, mais que cinza, branco. Ausente de cor, vida ou genuína diversão.
Os momentos em companhia são regados à base de tudo que possa transportar a universos paralelos, em que essa situação já tenha passado e não exista mais. Exageros entre horas passadas longe de casa, mililitros de álcool ingeridos ou conversas sem sentido iniciadas somente para passar o tempo. Com pessoas que não se tem um afeto, que não representam nada e que nem sequer entendem o que digo ou penso.
Tempo que não passa. Não passa. Não passa.
Após um ano e tudo permanece na mesma. O mesmo sentimento de não pertencimento. A mesma língua falada no tempo errado. Os mesmos espaços sem entendimentos, sem respostas, sem sentido. Sem sentir.
A vida tocada como se eu mesma não estivesse presente. Como se o meu espaço não fosse esse, mas nem mesmo outro. Nem aquele de antes, nem esse de agora. E tampouco aquele futuro. Como se o meu futuro não existisse, como se o não pertencimento fosse eterno.
Continuo sem saber do que vocês riem. Continuo sem saber como vocês cresceram. Continuo sem entender como vivem. E então mais uma dose mais forte, mais concentrada e mais intensa. Mais uma conversa com quem não devia, com quem não queria, mas com quem tinha presente.
Tempo que passa. Passa. Passa.
Inverno que não passa. Línguas que se misturam, se fundem, se completam nessa ausência que não passa até a próxima oportunidade de retorno. Analisando comportamentos em situações em que ninguém nos pode ver. Exatamente igual.
Ma come sei noiosa.
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