segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O outro lado


Não serei eu a dizer-te o valor que tenho, se não és capaz de reconhecê-lo. Não me parece que possuas tão pouco discernimento a ponto de não pensar nas conseqüências de tuas próprias palavras. E não creio que haja sentimento suficiente capaz de fazer com que ofensas não gerem mágoas.

A liberdade não é dada para ser invadida. A relação não é construída já pensando em seu fim. Assim como o respeito a uma pessoa não tem de ser pedido. E se não sabes disso ainda hoje, não ficarei a esperar pelo que virá.

O que falta em mim é justamente o que tens em excesso: confiança. E se te aproveitas do que não sei para te auto-promoveres, talvez já não haja razão para que eu esteja aqui. Tu não estás preparado e não sabes valorizar o que tens. Tampouco pensas no que preciso, além do óbvio, é claro.

Sabes que tenho muito a aprender, mas não será da maneira como queres. Isso certamente não será. Falta-te educação, nada mais. E que coincidência; é mesmo o que tenho de sobra!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O fim que antecede o início


Escorri inteira pelo ralo em apenas cinco segundos. Não suportei o ardor da realidade, minhas orelhas derreteram-se com o calor do fogo tão próximo. Fugi correndo. Fugi de ti, das novidades, do crescimento e do conhecimento. Fugi de medo.

Apavorei-me ao saber que tu eras real e me cobrarias mais do que palavras... Lutei para sustentar-me sobre minhas próprias pernas, não encontrei remédio e acabei por regurgitar tudo o que havia em meu estômago. Fiz força até me livrar de ti inteiro.

Com a descarga se foram tuas palavras, teus olhares, tuas imagens, tuas dúvidas e teus interesses (estes mesmos – tão meus). Acordei livre do incômodo, livre da dor e livre de ti. O esgoto levará ao rio tudo o que houve entre nós, caindo no mar, que ora irá te banhar com a saudade do que não existiu, meu amor. Eu pedi: aceitas esta dor, é tudo que tenho a te dar.

Então me veio a tua imagem nua, assim como és. Máscaras ao chão e a ameaça do encanto perdido. A proposta do encontro e o momento errado para nós. Vais tu, vais para longe de mim. Vais tu e levas a lembrança de mim, com saudades do que não vivi. Vais e um dia me contas como é viver do que não foi. Vais que será fácil esquecer o que nunca existiu. Leva contigo esta crença no que não se concretizou e avisa-me o que não restou. Vais e leva-te para bem longe de mim.