
Recuperando a consciência percebo o erro cometido: ao invés de frear, apertei o pedal errado e acelerei batendo direto de cara no muro. Estranho perceber que você está mais presente em minha vida agora que não mais nos falamos do que quando havia palavras, sorrisos e trocas. O sinal vermelho que impedia a sua chegada até mim acabou possibilitando a sua permanência constante. Agora debilitada, sua presença tornou-se maior em meus pensamentos, em meus desejos e em minhas aflições.
Busco a fórmula para mantê-lo distante de mim, mas acabo encontrando uma maneira eficaz de assegurar que me siga em tempo integral. Confundo as marchas, troco os pedais, erro os sinais e sempre percorro o seu caminho sem perceber. Enxergo o sinal vermelho, amarelo e verde ao mesmo tempo. Faço confusão, ultrapasso pela direita e acelero quando quero frear. E freio quando quero acelerar.
Não consigo parar, não respeito a regulamentação, viro na contramão, ignoro advertências, recebo multas para chegar à via contrária a que eu queria estar. Sem saber aonde vou, dou seta para um lado e viro para o outro sem ao menos reduzir a marcha. Percebo que escureceu e, ao tentar ligar os faróis, descubro o meu estado de pisca-alerta; sempre atenta somente aos seus sinais. Toda confusão é advertência da paixão na rota de fuga da estrada do meu coração.
Todas as músicas, sons e luzes me confundem. Já não tenho a mesma visibilidade de antes. O vejo no horizonte, tento frear, mas é inevitável, mais uma vez bato direto de cara no muro.










