sábado, 15 de agosto de 2020

Verão em Portugal

Queria o verão para não pentear o cabelo, usar roupa solta e respirar ar puro. Para caminhar no meio do mato, mergulhar na água gelada e sentir o sol reaquecer a pele. Ler aquele livro enquanto afunda o pé na areia da praia e escuta o barulho da natureza ao fundo.

Era um fim de tarde que não se acabava mais. Tarde que era noite e noite que ainda era dia. Praia que era rio e mata que era fogo. Parece que quando fomos colônia alteramos ordem e lógica de um bocado de coisa.


Tinha essa cidade de pedra com a rua tomada por duas facções rivais enquanto a missa não acabava.


Tinham flores na janela para nos lembrar que beleza importa sim e melhora o dia de quem a encontra.


Tinha vastidão no continente e tempos de paz.


Eu, você, nossos livros, sol e muita água. 


Foi sobre conhecer um território através dos olhos do outro, pelos seus afetos, lembranças, amores e sotaques.


E foi uma série de tesouros escondidos, de todos os tipos e por toda a parte. 


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