quarta-feira, 10 de junho de 2015
Para uma raiz partida
Como o amianto inalado pouco a pouco, você chegou aos meus pulmões. Foi difícil admitir o que me fazia mal, se a cada afago toda a névoa desaparecia. Foram desertos de poeira e caminhadas às escuras. Tudo para chegar bem diante do velho e conhecido lugar comum. Mas eu era tão ingênua, tão livre e tão fugaz que não percebi estar em constante confronto com as demais existências. Quis avisar não querer ferir ninguém, quis correr na chuva que nunca chegou e quis ficar quanto tempo fosse necessário, mas você era planta local e não podia me seguir. Quis lhe trazer as nuvens, lhe banhar com poucas lágrimas, lhe transportar sereno e fincar minhas raízes junto às suas. Mas sou rasa, incompatível, inapropriada e só o que sei fazer é partir. Espalhando minhas raízes por solos áridos e distantes para depois morrer em vão.
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