segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O fim que antecede o início


Escorri inteira pelo ralo em apenas cinco segundos. Não suportei o ardor da realidade, minhas orelhas derreteram-se com o calor do fogo tão próximo. Fugi correndo. Fugi de ti, das novidades, do crescimento e do conhecimento. Fugi de medo.

Apavorei-me ao saber que tu eras real e me cobrarias mais do que palavras... Lutei para sustentar-me sobre minhas próprias pernas, não encontrei remédio e acabei por regurgitar tudo o que havia em meu estômago. Fiz força até me livrar de ti inteiro.

Com a descarga se foram tuas palavras, teus olhares, tuas imagens, tuas dúvidas e teus interesses (estes mesmos – tão meus). Acordei livre do incômodo, livre da dor e livre de ti. O esgoto levará ao rio tudo o que houve entre nós, caindo no mar, que ora irá te banhar com a saudade do que não existiu, meu amor. Eu pedi: aceitas esta dor, é tudo que tenho a te dar.

Então me veio a tua imagem nua, assim como és. Máscaras ao chão e a ameaça do encanto perdido. A proposta do encontro e o momento errado para nós. Vais tu, vais para longe de mim. Vais tu e levas a lembrança de mim, com saudades do que não vivi. Vais e um dia me contas como é viver do que não foi. Vais que será fácil esquecer o que nunca existiu. Leva contigo esta crença no que não se concretizou e avisa-me o que não restou. Vais e leva-te para bem longe de mim.

4 comentários:

Delfim Peixoto disse...

Um final tristinho...
mas gostei!
jnhs

Anônimo disse...

Um final, não diria triste. Pelo contrário. Digno da alegria. Pois quem, com tanta convicção toma uma atitude dessas, falando como tu falastes, estás com a tua consciência plena. E não foi só um rompimento, foi mesmo uma descarga, um despacho.

Vai-te. Antes que eu chame o meu DOG ALEMÃO.

Um beijo
Naeno

Brena Braz disse...

Triste o conteúdo, mas linda a forma. Adorei.

Unknown disse...

É, a hora que a máscara cai é a mais difícil. Mas pior seria se ela nunca caísse...lindo!

Bjos!