
Escorri inteira pelo ralo em apenas cinco segundos. Não suportei o ardor da realidade, minhas orelhas derreteram-se com o calor do fogo tão próximo. Fugi correndo. Fugi de ti, das novidades, do crescimento e do conhecimento. Fugi de medo.
Apavorei-me ao saber que tu eras real e me cobrarias mais do que palavras... Lutei para sustentar-me sobre minhas próprias pernas, não encontrei remédio e acabei por regurgitar tudo o que havia em meu estômago. Fiz força até me livrar de ti inteiro.
Com a descarga se foram tuas palavras, teus olhares, tuas imagens, tuas dúvidas e teus interesses (estes mesmos – tão meus). Acordei livre do incômodo, livre da dor e livre de ti. O esgoto levará ao rio tudo o que houve entre nós, caindo no mar, que ora irá te banhar com a saudade do que não existiu, meu amor. Eu pedi: aceitas esta dor, é tudo que tenho a te dar.
Então me veio a tua imagem nua, assim como és. Máscaras ao chão e a ameaça do encanto perdido. A proposta do encontro e o momento errado para nós. Vais tu, vais para longe de mim. Vais tu e levas a lembrança de mim, com saudades do que não vivi. Vais e um dia me contas como é viver do que não foi. Vais que será fácil esquecer o que nunca existiu. Leva contigo esta crença no que não se concretizou e avisa-me o que não restou. Vais e leva-te para bem longe de mim.
4 comentários:
Um final tristinho...
mas gostei!
jnhs
Um final, não diria triste. Pelo contrário. Digno da alegria. Pois quem, com tanta convicção toma uma atitude dessas, falando como tu falastes, estás com a tua consciência plena. E não foi só um rompimento, foi mesmo uma descarga, um despacho.
Vai-te. Antes que eu chame o meu DOG ALEMÃO.
Um beijo
Naeno
Triste o conteúdo, mas linda a forma. Adorei.
É, a hora que a máscara cai é a mais difícil. Mas pior seria se ela nunca caísse...lindo!
Bjos!
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