
De repente, eu me sinto culpada por não aceitar desaforos de um velho ranzinza e de mal com a vida. Sinto que a minha tolerância deveria ser infinita ao pensar que se trata apenas do início da minha carreira e que é normal colecionar sapos no estômago até se gerar um câncer ou se conseguir um emprego melhor.
Sinto que não estou cumprindo meu papel social ao não me manter trancada durante dez horas do meu dia em uma instituição privada trabalhando duro para que enriqueçam logo através da minha incessante produção.
Sinto que deixei de lado as minhas obrigações de profissional formada e cidadã adulta ao não conseguir pagar minhas contas e questionar o desrespeito ao piso salarial de minha classe. E não importa o quão qualificada eu seja porque eu estarei escondida o bastante atrás de muito trabalho para que seja possível enxergar novas possibilidades.
Não penso mais em contrariar pessoas tão superiores a mim em quesitos que, habitualmente, não adquirimos na faculdade, como arrogância, prepotência e amizades influentes. Não busco mais esse idealismo de sarjeta, livre de esquemas e fiel à ética e ao bom senso, pois o que resta a pessoas como eu é tão somente abaixar a cabeça e bater o cartão.
Sinto que, por ora, não há solução diferente de me conformar com a estúpida realidade e me submeter àquilo que não concordo, me juntando, enfim, à massa de operárias que dedicam total respeito à rainha.
***
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Sinto que não estou cumprindo meu papel social ao não me manter trancada durante dez horas do meu dia em uma instituição privada trabalhando duro para que enriqueçam logo através da minha incessante produção.
Sinto que deixei de lado as minhas obrigações de profissional formada e cidadã adulta ao não conseguir pagar minhas contas e questionar o desrespeito ao piso salarial de minha classe. E não importa o quão qualificada eu seja porque eu estarei escondida o bastante atrás de muito trabalho para que seja possível enxergar novas possibilidades.
Não penso mais em contrariar pessoas tão superiores a mim em quesitos que, habitualmente, não adquirimos na faculdade, como arrogância, prepotência e amizades influentes. Não busco mais esse idealismo de sarjeta, livre de esquemas e fiel à ética e ao bom senso, pois o que resta a pessoas como eu é tão somente abaixar a cabeça e bater o cartão.
Sinto que, por ora, não há solução diferente de me conformar com a estúpida realidade e me submeter àquilo que não concordo, me juntando, enfim, à massa de operárias que dedicam total respeito à rainha.
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4 comentários:
a vida é um eterno aprendizado cris e na vida a gente que parender a engolir sapos mesmo, nao pense que com vc é diferente imagine as peças raras que eu tenho que aguentar todos os dias no meu ambiente de trabalho no mais é bola pra frente mesmo!!!
Como te entendo, Cris. Afinal, sou da classe. Andei me sentindo culpada por não ser o tipo de pessoa que coloca o trabalho em primeiro plano. Mas quer saber, passou logo a culpa. Prezo tanto pela minha qualidade de vida que penso seriamente em mudar de profissão (e não é fácil, pq eu gosto desse ingrato jornalismo).
Ontem fiquei um tempão lendo o Binóculo. É ótimo.
Bjos!
Oi Cristina!
Obrigada pelo coment�rio no meu blog!
Beij�o, adorei o teu!
Ontem mesmo pensei em mudar de curso..quem sabe fazer publicidade ou rtv..agora vc me aparece com esse balde de agua fria?!rs..assim eu desisto mesmo no 3º ano..rs..onde enontro um curso de minhoca para que possa me tornar fria? Onde encontro um curso de cupim para que possa atacar as caras de pau? Será que para ser jornalista é preciso primeiro ser biólogo????
há braços doces
PS: acho que vou fazer um curso intensivo de biologia, pq se depender da paixão pela profissão serei engolida rapidinho pelas cobras da edição..
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