sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Do que restou intacto

Eu não serei capaz de mudar velhos hábitos alheios. De todas as coisas inanimadas que eu reencontrei aqui, você foi a que melhor representou o seu papel de permanecer intacto com o passar dos anos.
Nenhum progresso, nenhuma ação de melhoria e nenhum passo em direção ao seu próprio desenvolvimento.   
Eu precisava mesmo desse contato com uma realidade que sempre existiu e que eu nunca fui capaz de enxergar. Eu precisava, e ainda preciso, de muito mais do que você está disposto a me dar e estou feliz em ter conseguido, finalmente, notar que a vida teve seus motivos para nos separar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Das coisas que você enxergou em mim

Eu queria não ter sido tocada por tudo isso que você diz, mas a minha vontade é em vão. Eu sigo seus chamados. Eu fico perdida nos seus passos. Eu me acho nos seus espaços. Eu abro a geladeira e você está lá. Nas fotos, o seu sorriso. Na memória, o seu jeito de falar. Nos escritos, a poesia do meu olhar. Eu percebi que o fato de não lhe escrever não lhe afasta dos meus pensamentos. Descobri que o que você despertou em mim não se abafa tão fácil e é inútil tentar não enxergar o seu sorriso, lembrar sua voz, sentir seu toque.  

Eu vejo o seu rosto em todos os corpos. Eu lhe vejo pela cidade que não é sua. O que não vivemos ganha cores, movimentos, enredo e trilha sonora. Ganha vida própria e essa vida não tem limites. Passo horas em uma realidade que nunca existiu, sinto falta do que não vivemos juntos e vontade de viver o que não nos foi permitido. Eu quero lhe escrever, mas não sei o que dizer. Eu quero lhe ver, mas não tenho um porquê. Eu quero mudar minha vida e estar junto a você por pequenos momentos que tragam algum sentido a esse querer.  

Que se dane a paz e a tranqüilidade que você tanto insiste em me devolver. Eu gosto mesmo é do turbilhão que você trouxe à minha vida em questionamentos e dúvidas sobre tudo aquilo que sempre foi tão certo pra mim, que me fizeram enxergar o mundo que nunca vi e a ter vontades que nunca me permiti. Eu já me apeguei e não consigo ser indiferente à sua busca. Eu não consigo mais dormir, eu penso em todas as possibilidades, eu penso no futuro e em um passado diferente do que foi. Eu lhe busco e me encontro.  

Quero mesmo é que você volte e desfaça o que já arrumei e me cobre atitudes adultas como encarar os fatos de frente e respeitar os meus desejos. Quero que me diga quando vem e que não aceita não me rever. E não haverá Pessoa, Almodóvar ou Neruda que sacie o que ainda temos a viver.  

Quero a permissão para reencontrar a sua risada, ouvir sua voz e rever seus olhos sobre mim enxergando tudo aquilo que ninguém mais é capaz de ver. Quero o seu carinho, o seu beijo, o seu cheiro e quero mais ainda a sua visão de mundo. Eu quero acreditar que sou aquilo que você vê em mim e ser feliz assim. Mas tudo que me resta fazer é guardar o que sinto e esperar por um pretexto que me permita dizer aquilo que eu ainda não soube entender.

(Publiquei esse texto no meu antigo blog em 26 de agosto de 2007, data em que o redigi)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pequenas grandes transformações

Das coisas que permanecem guardadas para um dia pegar voo, para um dia deixar de esperar e se tornar vida real, se concretizar, ser verdade, ser gosto, adrenalina, suor e matéria. Das coisas que sò acontecem aqui dentro e ninguém pode se dar conta. Das coisas que nao parecem estar acontecendo, mas que jà começaram a acontecer faz tempo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lucidez

São todas essas paginas em branco que escondem uma história de infelicidade, de total consciência e lucidez da minha própria auto-sabotagem ao me sujeitar a uma vida em que não estão presentes elementos que representam a minha essência. Essa mesma que parece esquecida entre aparências, decisões tomadas sem segurança e estradas escolhidas erroneamente em um trajeto que me anula e me distancia, cada vez mais, daquilo que eu sempre quis.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Era só uma miragem

Quando chega o momento em que a auto-estima está no chão, em que não se importam com o seu bem-estar e que o anulamento abre espaço para a raiva. é essa a hora em que a vontade de ir embora vem e insiste em lhe arrastar de volta para o seu lugar. São anos e anos tentando encontrar um lugar que parece não existir, onde satisfação e reconhecimento caminham lado a lado e onde é possivel ter qualidade de vida, diversão e, ao mesmo tempo, evoluir com tranquilidade e motivação.

Na sala


Como enquanto o professor fala e o aluno balança a cabeça, fingindo estar entendendo tudo. Acoplado a esse cenário, como se também fosse inanimado, como se não se movesse, não falasse ou raciocinasse. Parte integrante do grupo de todos os seres inanimados, daqueles que não fazem falta quando são retirados do lugar e dos quais só se nota a ausência, meses depois de que saíram dali. Invejando todas as árvores que estão fora dessa janela, fazendo fotossíntese, gozando o sol quente cobrindo toda a superfície, desprovidas de ar-condicionado e movidas pela inércia do ar que insiste em ir e voltar.
Um dia viverei como elas. Haverei a liberdade como elas e me moverei como elas. Fora desse cenário que faz sentir a inutilidade que perfura a pele, sangrando por dias em silêncio invisivelmente.

terça-feira, 29 de março de 2011

Amanha vai ser melhor

Eu sempre acho que vou estar melhor no dia seguinte, que vou ser invadida por animo, certezas,  alegrias e energia. Mas acontece que tudo permanece sempre igual, à espera dessa mudança que serà capaz de me tirar esse vazio, de mudar a minha vida e a minha percepção das coisas.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Todas elas me seguem

Nem que fosse para fazer o tempo passar mais rápido, ou para nao refletir muito sobre o assunto, ou para fingir que nao foi tao grave assim. Tentei me convencer que iria passar, que um dia eu nao iria me lembrar ou me importar mais. E, realmente, a dor aliviou e a lembrança se tornou menos presente. Mas, de repente, em uma manha qualquer, me invadiu uma vontade enorme de chorar, de tentar entender, de te chamar e de ter a minha vida de volta. Nao toda ela, mas a parte que incluia aquela harmonia que havíamos, a sintonia em que vivíamos, a alegria no simples fato de nos falarmos, das "coisas" que eu trouxe comigo e quis trancar em algum lugar inacessível mas que, sem perceber, estavam todo o tempo me seguindo. Procuro desesperadamente uma maneira de me libertar desse incomodo e de ter manhas puras e desprovidas de dor novamente. Mas todas elas continuam me seguindo aonde quer que vá.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Instalado



Instalou-se a inutilidade, a inatividade. Como quando Gregor sofreu a metamorfose. Eu leio na minha língua, leio na sua e, na dúvida, assisto a todos os telejornais. Eu me sinto burra, tenho sede de informação. Então me acompanham Neruda, Dostoievski, Pessoa, Espanca e quem mais quiser. Felini, Polanski, Moretti. Mas não muda nada, eu continuo inútil. E a insônia permanece porque, afinal, tanto faz pensar de dia ou de noite, quando o que muda é somente a iluminação. Não escrevo, somente o que me expõe em 140 caracteres, mesmo porque, as pessoas não querem saber muito. E eu parei de me importar com elas. Essa obrigação eu já não mais carrego. E aí a minha psicóloga diria que se inicia o meu processo de aceitação. Aceito então. Aceito assim. Um dia serei como elas, trabalharei como elas, me vestirei como elas e farei tudo aquilo que deve ser feito. Daqui a pouco vai ser assim, ah vai. Me diz se vale a pena então, esse tempo na solidão. 

Eu achei que já estava bem grandinha para esse tipo de diversão, ou muito nova para uma vida tão conformada. Eu não estou bem, e você? As pessoas falam sem escutar, compram sem pensar, se arruinam sem perceber. Mas depois se exibem felizes na vida que podem pagar, adquirir, ostentar... Tudo isso porque não sabem mais como sentir. O meu problema é justamente ser ao contrário, não me enquadrar, não pertencer, não ter o que conversar e não me importar. Dos assuntos pelos quais me interesso, ninguém mais quer saber. Me isolo, me calo, me escondo, não transmito o que elas não podem entender. Estou precisando saber se ainda sou capaz de me comunicar com o mundo, se existe alguém igual a mim por aí, preciso de um bom motivo para acordar bem cedo e fazer todas as coisas que precisam ser feitas. Sentir que a minha cabeça não pensa à toa, não desperdiça tempo, me faz ganhar algo mesmo que raramente. Preciso que acreditem, mesmo sabendo que a primeira a acreditar deve ser eu mesma. Mas aí eu adio, decido dormir mais um pouco que passa. Reclamo da sorte e ouço vozes. Faz alguma coisa pra ocupar essa cabeça, minha filha. Enche o seu dia de afazeres. Leva a vida como todo mundo, assiste televisão para ter assunto, dá uma olhadinha na tabela do campeonato, caso precise de argumento. 

Decido partir, aqui não é lugar pra mim. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quase isso



Eu vou fingir que està tudo bem na minha vida sem você. Vou fingir que ja me acostumei e que ainda não entendi que vou rodar todo o mundo pra descobrir que nao posso ser feliz longe de você, suas manias, sua teimosia e sua incapacidade em me seguir. Vou me auto-sabotar enquanto as lágrimas tomam conta apenas da minha madrugada, enquanto consigo mentir pra mim mesma, me enganando que o melhor lugar do mundo não é ao seu lado e acreditando que, essa minha postura ao encarar as coisas, fará com que você, finalmente, aprenda que o melhor lugar pra você é em qualquer lugar que eu esteja nesse mundo. 

Vou acreditar que tudo que eu sofrer e tudo que eu tenho sofrido nestes momentos vai te chegar, de alguma maneira, através das forças ocultas do universo, para te fazer refletir, amadurecer e concluir que, além de ter sido um erro não me acompanhar, ainda é não estar junto a mim e, também, nao me pedir pra ficar. 

No fim de todo o giro que eu fizer, vou entender o mais simples: que a posição geográfica não é assim tão importante quando se tem ao lado o que se quer. E que, eu posso estar onde eu estiver que as minhas vontades não vão deixar de me acompanhar. No entanto, eu continuo sem saber se você será capaz de entender, ou de concordar, que foi um erro a gente um dia se separar.