Como enquanto o professor fala e o aluno balança
a cabeça, fingindo estar entendendo tudo. Acoplado a esse cenário, como se
também fosse inanimado, como se não se movesse, não falasse ou raciocinasse.
Parte integrante do grupo de todos os seres inanimados, daqueles que não fazem
falta quando são retirados do lugar e dos quais só se nota a ausência, meses
depois de que saíram dali. Invejando todas as árvores que estão fora dessa
janela, fazendo fotossíntese, gozando o sol quente cobrindo toda a superfície,
desprovidas de ar-condicionado e movidas pela inércia do ar que insiste em ir e
voltar.
Um dia viverei como elas. Haverei a liberdade
como elas e me moverei como elas. Fora desse cenário que faz sentir a
inutilidade que perfura a pele, sangrando por dias em silêncio invisivelmente.
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