Eu poderia passar horas lhe contando histórias sobre a vida daquelas pessoas. Escutei muito do que tinham a dizer e presenciei o suficiente para tirar minhas próprias conclusões a respeito do trabalho que realizam e do que almejam em cada lugar por onde passam. Mas você acredita realmente que não há interesse por trás do que fazem? Você acha mesmo que aquela mulher faz tanto por aqueles homens por acreditar na salvação de suas pobres almas e não por vaidade ou necessidade de demonstrar a superioridade em dominar o gênero que, por gerações, foi o dominante?
Ali nada é tão puro quanto parece. Você acha que não há necessidade de ser admirada, respeitada e, principalmente, reconhecida? E para os que não reconhecem é dedicado todo o calor da fúria de um mesmo coração que produz discursos de paz, solidariedade e igualdade.
Chega de clamar por igualdade! Não vê que não somos iguais? Não me impressiono mais com mobilizações que mascaram os mais repugnantes interesses. Estou farta de atitudes a que todos dizem acreditar na pureza da intenção. Sei que a culpa exarcebada por ter metido a mão no que é dos outros e ter pisado na cabeça de pessoas corretas faz com que se criem trabalhos aparentemente dignos dos mais respeitosos prêmios e menções honrosas, mas a mim não enganam mais! Sei bem onde querem chegar desde que começaram e o meu corpo fica gelado só de pensar até onde são capazes de ir para se construir boa reputação em um mundo onde a imagem vale mais do que a dignidade.
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