
Eu sei que você não deve estar entendendo nada. Há anos deixei de atender aos seus telefonemas, tão insistentes, e hoje estou aqui, bem onde teria certeza que lhe encontraria. E não adianta tentar disfarçar meu nervosismo. Eu simplesmente não consigo falar nada que faça sentindo, mal consigo olhar em seus olhos e, em meu rosto, fica esse sorriso nervoso.
Sei que lhe fiz sentir culpado e confuso, mas eu não sei lidar com essas coisas. E, nesses anos todos, eu ainda não aprendi. Não sei fingir que não houve nada entre a gente, não sei me comportar socialmente, disfarçar as evidências e agir como uma mera conhecida sua. Não consigo me mexer recebendo o seu toque e creio que, dentre pouco, perderei também a capacidade de respirar. A verdade é que eu não sei atuar e, embora eu esteja aqui hoje, acredite, eu preferiria não ter que vê-lo mais.
Foram anos me condenando por uma traição que não cometi. Foram anos me questionando como tudo chegou a tal ponto de envolvimento. E agora, à sua frente, vejo que não posso julgá-lo tendo como base apenas tão poucos fragmentos da sua história de vida. Talvez eu tenha vindo aqui hoje para me conceder o perdão e compreender que só haveria traição se eu permanecesse com você. Como fazê-lo entender que eu era, e ainda sou, menina demais para continuar? Como dizer que eu não suportaria a pressão? Como explicar que fugir foi o mais digno que pude fazer?
2 comentários:
É, conterrânea... que desabafo.
Sabe que ontem à noite, eu fuçando uns textos antigos, encontrei algo muito parecido com oq vc escreveu? Qquer hora eu publico e venho aqui te chamar pra ler!
:)
Beijoca
Tá aí uma coisa que faço bem: fugir. Quando não tenho mais oq dizer, ou quando tenho medo do que posso ouvir, saio de circulação. Pode ser covarde, mas, bem ou mal, vou sobrevivendo a isso.
Beijos, Cris!!
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