segunda-feira, 14 de maio de 2007

A velha e a moça

Ando devagar para não forçar o joelho já desgastado. No consultório, o médico sentenciou: “o seu caso é sedentarismo”. Mas veja como é complicado, na minha idade, praticar algum tipo de atividade física, meu filho...

Para as dores no ombro, provocadas pela bolsa sempre tão cheia de remédios, casaquinho, sombrinha e outras tantas coisinhas que carrego sempre comigo, ele receitou um remedinho bom. A dor passou na hora! Mas segui marcando as minhas consultas, pois gosto de acompanhar de perto os lançamentos da indústria farmacêutica para dores nas articulações, sinusite, rinite alérgica, bronquite e todos os males provocados por essa vida doida que levamos hoje.

Porque no meu tempo, filho, a cidade não era poluída assim não e, ao pegar a condução, os jovens cediam o lugar aos mais velhos. Hoje não, eles parecem não perceber o meu cansaço, nem se oferecem para levar o livro que sempre tenho em mãos. Essa juventude anda com a cabeça nas nuvens! O que eu gosto mesmo é de passear de carro com os parentes, conforto maior não há!

Mas o médico insiste que eu preciso andar... E lá no hospital, onde já conheço todo mundo, eles concordaram. Disseram que é bom para essas dores que eu sinto nas costas e nos ombros. Não entendem que tudo isso é cansaço e que, na minha idade, é uma canseira da vida. De todo o peso carregado nos ombros por todos esses anos, filho...

O farmacêutico me convenceu que esse remedinho vai me fazer dormir melhor, além de ativar a circulação. Assim, a queimação nas pernas não vai mais me incomodar à noite. Quase todo o meu suado dinheirinho fica lá na farmácia mesmo... Tudo para chegar ao alto dos meus 24 anos parecendo um pouquinho mais jovem!

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