quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Depois de você

Parece mentira que depois de você eu tenha encontrado sempre quem estivesse disposto a sonhar os meus sonhos, a caminhar comigo e a seguir pra onde quer eu fosse. Eu ainda não consegui entender porque só você não quis. Sendo que, só com você, eu sentia que não poderia estar em nenhuma outra parte do mundo e que jamais teria sido tão feliz.
Depois de você, eu me apaixonei por todas as pessoas dispostas a seguir os meus passos por onde quer que eu fosse. E, no entanto, não amei mais ninguém.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O grito

Foi do seu grito que veio à tona o vazio do meu coração. A admiração que nao cresceu, o meu céu que escureceu, o meu tempo que se fechou.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Debaixo da mesma lua

Foi como olhar o céu de novo sem saber onde você está. É verão e eu decidi dar uma volta lá embaixo. Saio tão pouco de casa que começo a me considerar sociopata. Mas era uma noite de quarta-feira e, ao atravessar a praça, notei que um grupo de pessoas dançava tango debaixo da galeria. Eram os mais variados tipos de casais, com mais ou menos sintonia que os outros. Parecia uma cena de Almodóvar. Triste, intenso, simpático e misterioso. Lembrei-me de como dançávamos, de como éramos unidos  e cúmplices. Mas eu não deveria pensar nessas coisas. Não mais, depois de tanto tempo. Eu só queria que o meu coração respeitasse as minhas escolhas e entendesse o passar do tempo. Mas ele parece não absorver nada e te traz para o meu lado, debaixo da mesma lua, mais uma vez.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Foi

Foram as virgulas, as interjeições, o vocabulario. Foi o espaço, o silencio, a fantasia. Foi a vontade, a saudade antecipada, o remorso pelo que nao deu certo antes. Foi pressa, impulso e esperança. Foi tudo que eu queria viver, misturado com o que eu ja tinha vivido. Foi confusão mental, misturada à ilusão, idealização. Foi precipitado, foi o que era preciso fazer. Foi romantismo exacerbado, foram todos os filmes que ja vi e todos os livros que li. Foi tudo menos voce e eu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Nada mais

Sem medo de tocar a ferida. Sem medo de enfrentar a dor. Sem medo de resgatar o assunto. Sem medo de encarar as dores. Sem medo de arriscar se expor. Sem medo do que vão pensar. Sem medo de se importar. Sem medo de lhe chamar no meio de uma madrugada chuvosa para lhe dizer que foi quando voce disse "eu venho" e nao veio. Foi quando voce disse "conta comigo" e sumiu. Foi quando voce disse "eu te amo" e acordei sozinha. Foi quando eu entendi que eu nao era tudo na sua vida.
Então eu lhe chamei para lhe dizer que, sendo assim, eu prefiro ser nada. Por favor, pare de me mandar mensagens, pare de manter a amizade, pare de fingir interesse porque eu sou menina mimada. E se não é para ter tudo, eu prefiro não ter nada.
Não adianta tentar lembrar do quanto foi bom, nem do tanto que aprendi e, nem mesmo, da sensação maravilhosa que era ser sua namorada. Agora eu me apego às viagens que não fizemos, às dificuldades que não enfrentamos juntos, ao mundo que descobrimos separados. Foi isso que doeu. Foi isso que ficou. E é isso que somos agora. Nada mais.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Esmalte em Paraty

Eu finalmente encontrei o texto que você escrevia enquanto eu passava esmalte naquele fim de tarde em Paraty. Eu o encontrei dentro de uma pasta em que você coloca todas as fotos que tira de mim. E eu estava aqui pensando que iria encontrar uma série de pornôs pancadão, sujão e porcão em seu computador. Mas encontrei só poesia. A maneira como você me vê e como me descreve consegue ser ainda mais linda que a realidade e eu quero continuar sendo esse universo lindo que você vê. Eu quero ver o mundo com os seus olhos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

No meu esconderijo

Eu não passo de uma menininha medrosa trancada no porão de casa. Eu não passo do mais completo clichê. Durante horas escutando os passos do ladrão ou adivinhando o momento exato em que o monstro marrom sai do guarda-roupas.
Os mesmos medos conservados há anos, a mesma incapacidade em lidar com a realidade e a mesma inércia em voltar sempre para o mesmo esconderijo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Virás comigo

Você me perguntou se foi um bom namorado e eu tirei sarro. Fiz você sorrir e apontei como defeitos as características que mais gostava em você.
Você não foi um bom namorado porque bebia muita Coca-Cola, porque escondia chocolate debaixo do travesseiro, porque engordou, porque sempre foi muito independente, porque dava atenção para todo mundo, porque é cheio de amigos, porque sempre tinha mil compromissos em família, porque jogava a pelada da terça e frequentava o estádio aos domingos.

Você foi simplesmente o namorado mais incrível que eu já tive.
Mas isso eu não disse.

Você foi aquele que me fez dobrar a orelha do Neruda bem na página que diz:
“Virás comigo”.
Mas isso eu não disse.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Para cada tristeza, uma doença


Me irrita ser tão previsível. Para cada tristeza, uma doença. Para cada não, um sintoma. Para cada insônia, um remédio contra a dor. Eu o tomo mesmo sabendo que essa dor não vai passar. Mesmo sabendo que eu preciso deixar de ser tão covarde e medrosa e que, para isso, não há comprimido ou injeção capaz de fazer o que só pode ser feito por mim. 

Eu tenho febre há três dias. Eu me limito, me escondo, podo as minhas raízes. Eu não quero sair do lugar que eu nunca quis estar. Eu sonho com novas possibilidades, mas não consigo ir buscá-las. 

Eu tenho saudade dos meus amigos antes mesmo de tê-los deixado. Eu quero que a minha despedida aconteça todos os dias só para ser o centro das atenções. Eu faço charme, chantagem e pirraça só para que eles apareçam. 

Você quer que eu lhe diga quem sou, mas eu só sei dizer o que eu quero ser. Eu quero fazer todas as coisas que gosto ao mesmo tempo. Eu não consigo me decidir frente a caminhos que finjo não existirem. Eu ignoro a sorte, ignoro as possibilidades e não tomo uma atitude simplesmente porque não tenho garantias. E, por mais que o presente seja medíocre, ao menos ele eu conheço bem. 

Eu passo o dia dopada. Eu tomo mais remédios e ainda sinto dor. Eu sei o que devo fazer, mas morro de preguiça de sofrer. A vida me mostrou seu lado bom para que eu não me arriscasse mais em estradas perigosas, em aventuras infundadas e em noites bem dormidas. 

Eu tenho alucinações, sonho que tudo mudou e se resolveu por si só. Eu não me sinto bem, durmo mais um pouco e acordo pior. Eu jogo no lixo as minhas vontades, eu deixo pra depois os meus desejos e me contento com o que vem até mim. Eu não quero mais gastar energias e mesmo estando em férias há meses, ainda assim me sinto cansada. 

Eu penso em ter obrigações, chego a planejar uma rotina organizada e logo quero descansar novamente. Eu não consigo me enquadrar. O que todos fazem tão facilmente não chega a ser aceitável para mim. A minha inquietação não vai embora mesmo após ter experimentado todas as alternativas. Eu vou de um extremo ao outro e não consigo voltar. Eu sou compulsiva por trabalho, por simples prazeres e pelo ócio criativo, mas não suporto ser analisada. Ao mesmo tempo em que busco a visibilidade, quero que ninguém preste atenção no que faço. Eu enfeito a realidade para satisfazer a minha vaidade. 

Eu lhe convido a me visitar, mas mudo de endereço antes de você chegar. Eu quero paz e agito em uma só atmosfera. Eu quero o tédio e o glamour. Eu quero o amor e o ódio. Eu sou brava, mas esqueço de me impor. Eu exagero no carinho, exagero na franqueza e exagero, principalmente, comigo mesma. Eu me ocupo para ter descanso de mim. A minha cabeça sofre a pressão que o meu corpo responde. Eu fico de cama só até quando decido me levantar e tudo mudar. 


(Texto originalmente publicado em meu antigo blog em julho de 2007, quando o redigi)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A voz

Queria ser melhor. Queria ser melhor. Queria ser melhor. E é isso que me arruina. É isso que me deixa em pedaços. É isso que me enfraquece e me faz perder o caminho. Se eu pudesse somente existir, se eu pudesse somente ser eu mesma, sem máscaras, sem convenções, sem ter de agradar ninguém mais além de mim mesma. Se eu pudesse fazer e bancar somente aquilo que me satisfaz interiormente. 

E daí que ouvi a voz. Eu posso. 
Você se lembra? 

Você já foi, em tantos momentos da sua vida, responsável pela sua própria felicidade. Você se livrou das amarras, das neuroses, da insônia e simplesmente viveu. Em nenhum momento foi fácil e você teve que assumir tantas responsabilidades, mas entendeu que, com medo ou sem ele, a única alternativa que aceitaria seria seguir adiante. Então ficou mais leve, deixando o medo ali para seguir caminhada. Eu só queria poder existir de novo. Eu só queria poder ser leve assim mais uma vez. Eu só queria poder realmente ouvir essa voz.