quarta-feira, 5 de junho de 2013

Nesse quarto

Estagnaram-se ar e pensamentos nesse quarto de maneira que não podemos mais permanecer aqui fechados sem a corrente que renova folego e vísceras a cada manhã.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Virando bicho

Eu me encontrava apatica, fria e nao reagia nem mesmo aos mais perversos acontecimentos ocorridos bem diante dos meus olhos. Entendi, enfim, quando me disseram: "aqui a gente vai virando bicho". E era isso: faltava amor, carinho, beijo, abraço, cuidado e calor humano. Faltava vida. Mas seguiamos todos juntos naquele barco levando conosco a mesma epidemia rumo a uma direçao que nao poderia nunca mais ser retomada.

Você

Quanto mais eu lhe conheço, mais me dou conta que eu esperava por você. Era você. É você. Só você. As nossas vidas tinham que se unir. E veja bem em que modo estranho (e perfeito) elas se cruzaram. Enquanto você brincava sozinho ai, eu também brincava sozinha aqui. Enquanto você mergulhava no lago, eu mergulhava na cachoeira. Enquanto você lia mil livros, eu me apaixonava por cada historia que havia em mãos. Enquanto você cortava a laranja daquele jeito, ou comia peito de peru com ricota, ou fazia vitamina de banana com morango, eu fazia tudo igual do outro lado do mundo. Quando nós dançamos juntos, você sentia o meu perfume de um lado, enquanto eu sentia o seu do outro. Enquanto você falava, desculpa, mas eu não tinha a menor ideia do que você estivesse dizendo. Estava muito ocupada entre barba, olhos, sorrisos e gestos. Mas eu concordava e concordo ainda hoje. E me parece que para você será sempre assim. Para você, a minha resposta será sempre sim. Somos duas partes diferentes de uma mesma coisa. Somos quintas-feiras iguais de um mesmo ano em meses diversos. Somos a mesma coisa em hemisférios invertidos. Somos peixes e gêmeos em continentes diferentes. Somos o norte e o sul do mundo. Somos dois idiomas que se entendem de alguma maneira. Somos, finalmente, eu e você.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

No outono

O perfume de jasmim invade o meu quarto essa noite mesmo tendo as janelas fechadas e sendo outono. E isso é algo que eu gostaria de dividir com você. Como o sabor da torta de chocolate com coco que comi essa tarde no meu café preferido nessa cidade. Como a alegria de ter encontrado o ônibus que me esperava na parada do centro e o inacreditável fato de não ter pego transito em uma sexta-feira à noite nessa capital especializada em oferecer momentos desperdiçados e horas mortas, quando tudo aquilo que você mais quer é voltar para casa e ver TV no sofá. Queria viver cada um desses momentos junto a você. Cada besteira, cada frivolidade que, eu sei bem, vividas ao seu lado teriam um outro significado. Eu já sei bem que não irei suportar por muito a distancia. Pergunto-me a cada dia o que ainda faço aqui e não vejo a hora de descobrir como é uma vida vivida junto a você.

domingo, 31 de março de 2013

Seguindo certezas

Peguei a minha certeza, vinda não sei bem de onde, e apostei nela todas as minhas fichas. Só assim sei jogar e há muito tempo não estive tão certa. O que virá, ou se terá valido a pena, não me interessa. Eu preciso seguir essa certeza. Eu preciso pagar para ver.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Do que restou intacto

Eu não serei capaz de mudar velhos hábitos alheios. De todas as coisas inanimadas que eu reencontrei aqui, você foi a que melhor representou o seu papel de permanecer intacto com o passar dos anos.
Nenhum progresso, nenhuma ação de melhoria e nenhum passo em direção ao seu próprio desenvolvimento.   
Eu precisava mesmo desse contato com uma realidade que sempre existiu e que eu nunca fui capaz de enxergar. Eu precisava, e ainda preciso, de muito mais do que você está disposto a me dar e estou feliz em ter conseguido, finalmente, notar que a vida teve seus motivos para nos separar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Das coisas que você enxergou em mim

Eu queria não ter sido tocada por tudo isso que você diz, mas a minha vontade é em vão. Eu sigo seus chamados. Eu fico perdida nos seus passos. Eu me acho nos seus espaços. Eu abro a geladeira e você está lá. Nas fotos, o seu sorriso. Na memória, o seu jeito de falar. Nos escritos, a poesia do meu olhar. Eu percebi que o fato de não lhe escrever não lhe afasta dos meus pensamentos. Descobri que o que você despertou em mim não se abafa tão fácil e é inútil tentar não enxergar o seu sorriso, lembrar sua voz, sentir seu toque.  

Eu vejo o seu rosto em todos os corpos. Eu lhe vejo pela cidade que não é sua. O que não vivemos ganha cores, movimentos, enredo e trilha sonora. Ganha vida própria e essa vida não tem limites. Passo horas em uma realidade que nunca existiu, sinto falta do que não vivemos juntos e vontade de viver o que não nos foi permitido. Eu quero lhe escrever, mas não sei o que dizer. Eu quero lhe ver, mas não tenho um porquê. Eu quero mudar minha vida e estar junto a você por pequenos momentos que tragam algum sentido a esse querer.  

Que se dane a paz e a tranqüilidade que você tanto insiste em me devolver. Eu gosto mesmo é do turbilhão que você trouxe à minha vida em questionamentos e dúvidas sobre tudo aquilo que sempre foi tão certo pra mim, que me fizeram enxergar o mundo que nunca vi e a ter vontades que nunca me permiti. Eu já me apeguei e não consigo ser indiferente à sua busca. Eu não consigo mais dormir, eu penso em todas as possibilidades, eu penso no futuro e em um passado diferente do que foi. Eu lhe busco e me encontro.  

Quero mesmo é que você volte e desfaça o que já arrumei e me cobre atitudes adultas como encarar os fatos de frente e respeitar os meus desejos. Quero que me diga quando vem e que não aceita não me rever. E não haverá Pessoa, Almodóvar ou Neruda que sacie o que ainda temos a viver.  

Quero a permissão para reencontrar a sua risada, ouvir sua voz e rever seus olhos sobre mim enxergando tudo aquilo que ninguém mais é capaz de ver. Quero o seu carinho, o seu beijo, o seu cheiro e quero mais ainda a sua visão de mundo. Eu quero acreditar que sou aquilo que você vê em mim e ser feliz assim. Mas tudo que me resta fazer é guardar o que sinto e esperar por um pretexto que me permita dizer aquilo que eu ainda não soube entender.

(Publiquei esse texto no meu antigo blog em 26 de agosto de 2007, data em que o redigi)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pequenas grandes transformações

Das coisas que permanecem guardadas para um dia pegar voo, para um dia deixar de esperar e se tornar vida real, se concretizar, ser verdade, ser gosto, adrenalina, suor e matéria. Das coisas que sò acontecem aqui dentro e ninguém pode se dar conta. Das coisas que nao parecem estar acontecendo, mas que jà começaram a acontecer faz tempo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lucidez

São todas essas paginas em branco que escondem uma história de infelicidade, de total consciência e lucidez da minha própria auto-sabotagem ao me sujeitar a uma vida em que não estão presentes elementos que representam a minha essência. Essa mesma que parece esquecida entre aparências, decisões tomadas sem segurança e estradas escolhidas erroneamente em um trajeto que me anula e me distancia, cada vez mais, daquilo que eu sempre quis.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Era só uma miragem

Quando chega o momento em que a auto-estima está no chão, em que não se importam com o seu bem-estar e que o anulamento abre espaço para a raiva. é essa a hora em que a vontade de ir embora vem e insiste em lhe arrastar de volta para o seu lugar. São anos e anos tentando encontrar um lugar que parece não existir, onde satisfação e reconhecimento caminham lado a lado e onde é possivel ter qualidade de vida, diversão e, ao mesmo tempo, evoluir com tranquilidade e motivação.