quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os meus melhores textos são pra você. Pura dor que ocupou o espaço daquela alegria constante que era dividir a vida com você. Sem obrigações, sem cobranças. Apenas doações. Apenas amor. Tudo era leve e magico como nada no mundo poderia ser. 

Em uma ilha

Como quando olhávamos o céu estrelado infinito sem temer o fim. Sem saber que a lua mudaria e o nosso globo giraria. Como quando apertei forte a sua mão passando a noite em claro ao aberto. Como quando fomos nós dois em uma ilha.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Perder a cor



Perder a cor sozinha em meio ao cinza e verde da cidade. Ausentar-se quando a temperatura se faz dura demais. Suportar a mudança sem considerar voltar atrás. Seguir em frente mesmo que só em meio ao caos. Escolher ser corajosa mesmo que o conceito não seja claro aos olhos do outro.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Depois de você

Parece mentira que depois de você eu tenha encontrado sempre quem estivesse disposto a sonhar os meus sonhos, a caminhar comigo e a seguir pra onde quer eu fosse. Eu ainda não consegui entender porque só você não quis. Sendo que, só com você, eu sentia que não poderia estar em nenhuma outra parte do mundo e que jamais teria sido tão feliz.
Depois de você, eu me apaixonei por todas as pessoas dispostas a seguir os meus passos por onde quer que eu fosse. E, no entanto, não amei mais ninguém.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O grito

Foi do seu grito que veio à tona o vazio do meu coração. A admiração que nao cresceu, o meu céu que escureceu, o meu tempo que se fechou.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Debaixo da mesma lua

Foi como olhar o céu de novo sem saber onde você está. É verão e eu decidi dar uma volta lá embaixo. Saio tão pouco de casa que começo a me considerar sociopata. Mas era uma noite de quarta-feira e, ao atravessar a praça, notei que um grupo de pessoas dançava tango debaixo da galeria. Eram os mais variados tipos de casais, com mais ou menos sintonia que os outros. Parecia uma cena de Almodóvar. Triste, intenso, simpático e misterioso. Lembrei-me de como dançávamos, de como éramos unidos  e cúmplices. Mas eu não deveria pensar nessas coisas. Não mais, depois de tanto tempo. Eu só queria que o meu coração respeitasse as minhas escolhas e entendesse o passar do tempo. Mas ele parece não absorver nada e te traz para o meu lado, debaixo da mesma lua, mais uma vez.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Foi

Foram as virgulas, as interjeições, o vocabulario. Foi o espaço, o silencio, a fantasia. Foi a vontade, a saudade antecipada, o remorso pelo que nao deu certo antes. Foi pressa, impulso e esperança. Foi tudo que eu queria viver, misturado com o que eu ja tinha vivido. Foi confusão mental, misturada à ilusão, idealização. Foi precipitado, foi o que era preciso fazer. Foi romantismo exacerbado, foram todos os filmes que ja vi e todos os livros que li. Foi tudo menos voce e eu.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Nada mais

Sem medo de tocar a ferida. Sem medo de enfrentar a dor. Sem medo de resgatar o assunto. Sem medo de encarar as dores. Sem medo de arriscar se expor. Sem medo do que vão pensar. Sem medo de se importar. Sem medo de lhe chamar no meio de uma madrugada chuvosa para lhe dizer que foi quando voce disse "eu venho" e nao veio. Foi quando voce disse "conta comigo" e sumiu. Foi quando voce disse "eu te amo" e acordei sozinha. Foi quando eu entendi que eu nao era tudo na sua vida.
Então eu lhe chamei para lhe dizer que, sendo assim, eu prefiro ser nada. Por favor, pare de me mandar mensagens, pare de manter a amizade, pare de fingir interesse porque eu sou menina mimada. E se não é para ter tudo, eu prefiro não ter nada.
Não adianta tentar lembrar do quanto foi bom, nem do tanto que aprendi e, nem mesmo, da sensação maravilhosa que era ser sua namorada. Agora eu me apego às viagens que não fizemos, às dificuldades que não enfrentamos juntos, ao mundo que descobrimos separados. Foi isso que doeu. Foi isso que ficou. E é isso que somos agora. Nada mais.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Esmalte em Paraty

Eu finalmente encontrei o texto que você escrevia enquanto eu passava esmalte naquele fim de tarde em Paraty. Eu o encontrei dentro de uma pasta em que você coloca todas as fotos que tira de mim. E eu estava aqui pensando que iria encontrar uma série de pornôs pancadão, sujão e porcão em seu computador. Mas encontrei só poesia. A maneira como você me vê e como me descreve consegue ser ainda mais linda que a realidade e eu quero continuar sendo esse universo lindo que você vê. Eu quero ver o mundo com os seus olhos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

No meu esconderijo

Eu não passo de uma menininha medrosa trancada no porão de casa. Eu não passo do mais completo clichê. Durante horas escutando os passos do ladrão ou adivinhando o momento exato em que o monstro marrom sai do guarda-roupas.
Os mesmos medos conservados há anos, a mesma incapacidade em lidar com a realidade e a mesma inércia em voltar sempre para o mesmo esconderijo.