sexta-feira, 9 de julho de 2010
Eu continuo
Mesmo que nao faça mais sentido, mesmo que eu nao me orgulhe de demonstrar o que sinto e por mais que eu prefira esconder. Mesmo que eu esteja demasiadamente bêbada derrotada e envergonhada por esse trauma, eu vou continuar escrevendo. Vou continuar até conseguir colocar tudo pra fora, até vomitar voce, até me livrar do que senti.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Operação bloqueada
Eu sofro de diversos bloqueios. Bloqueio o que quero, bloqueio o que gosto e perco sempre o foco. Sempre perdida em algum lugar entre minhas vontades e minha coragem em me realizar, em me mover e em me concretizar.
A vida vem a me mostrar que é possível estar onde eu ousar sonhar, mas me falta alguma coisa para conseguir acreditar.
A vida vem a me mostrar que é possível estar onde eu ousar sonhar, mas me falta alguma coisa para conseguir acreditar.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Escrevo
Escrevo para disfarçar o medo. Escrevo para me convencer que me tornei uma pessoa corajosa e independente. Escrevo para tentar me enganar que nao penso mais em você e fui capaz de dar prosseguimento à minha vida. Escrevo para nao enlouquecer quando tenho tempo demais com a minha mente e ela me diz que estará o tempo todo comigo a me atormentar onde quer que eu và. Escrevo para me sabotar e esconder que, talvez, no fundo, eu continue a mesma.
domingo, 23 de maio de 2010
Encontro não marcado
Que estranho lhe encontrar e não ser mais sua. Eu ja lhe disse antes que não sei me comportar como uma amiga sua, pois nunca tive intenção em se-lo. Mas agora me vem em mente também todas as minhas escolhas nos últimos tempos e tudo que elas envolveram. Mudar de país, escolher uma vida sem você, tentar absorver a ideia de você não vir comigo, ter de engolir o choro para agradecer o sonho realizado e aceitar que eu não poderia vive-lo junto a você.
Agora o tempo passou, tudo mudou e eu me pergunto se o que nos restou foi somente um encontro não marcado no principal aeroporto do nosso país.
Agora o tempo passou, tudo mudou e eu me pergunto se o que nos restou foi somente um encontro não marcado no principal aeroporto do nosso país.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Eu não consigo relaxar e aproveitar os momentos da vida simplesmente porque acho que ela não seria suficientemente boa comigo a ponto de me proporcionar situações tão incríveis como roteiros de filmes e cenas de novela. Ou talvez eu só não esteja preparada para dar prosseguimento em setores da minha vida que eu sei que jamais poderão ser tão bons como já foram um dia.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Não faço nada
Eu me perdi dentre
as minhas infinitas opções. Eu posso ser tanta coisa, eu posso trabalhar com
tanta coisa que, no fim, acabo não fazendo nada e me perco em mundinho
alienado, sem ler noticias, sem memorizar acontecimentos históricos e sem saber
fazer contas. Me sinto um poço de ignorância. Má informada, vazia, fútil e
banal. Colecionando livros que não li, historias que não absorvi, lugares que não
conheci e conteúdos que não digeri. São tantos os projetos que eu gostaria de
criar, participar, desenvolver e executar, mas me falta sempre o foco, a direção
e a motivação.
domingo, 25 de abril de 2010
O lugar da anulação
É uma mania estranha essa de colecionar vontades quando retorno à casa. E essa também de colecionar horas sem dormir e textos sobre o mesmo tema. Pareço gostar da frustração como companheira em minhas noites. Então adiciono mais itens à minha lista de afazeres. Deixo sempre pra depois a oportunidade de me colocar a fazer o que quero para me assegurar que estou entrando, enfim, em ambiente seguro. E, no entanto, o ambiente seguro que tanto busco acaba sendo o mesmo reinado pela insônia, pela frustração e pela espera.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Vai chegar uma hora em que você vai ter que parar e pensar se tem valhido a pena. Tanta coisa atropelada, sentimentos que foram deixados pra tras, comportamentos que mudaram para se adaptar. Adaptar aos outros e não a você. Vontades deixadas de lado, princípios, valores, sonhos... Tudo vai ter de ser balanceado. E, nessa hora, eu vou querer saber, onde está você?
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Reencontro com a solidão
Foram muitas as noites que passamos sozinhos, cada um de um lado da cidade. Ele sem saber que eu pensava nele. Eu sem saber que ele me procurava em cada parada do metrô. Foi mais duro e solitário quando o inverno chegou e a cidade ficou ainda mais cinza. A cada dia que passava sua imagem sumia da minha memoria. Busquei por fotos, contatos com pessoas que pudessem me ajudar a reencontra-lo, pistas de onde pudesse acha-lo, mas a vida não facilitou. Gritou bem alto pra mim que eu estava condenada a viver na bolha que eu mesma criei.
Se agora me vejo sozinha assim, foi porque eu mesma escolhi. Me isolei distante de qualquer comunicação com a felicidade. Desejei não viver mais momentos felizes ao lado de alguém. Tratei de esquece-lo. E quando estava finalmente me livrando da obsessão e das lembranças, a vida decidiu que era hora de nos reencontrarmos.
Se agora me vejo sozinha assim, foi porque eu mesma escolhi. Me isolei distante de qualquer comunicação com a felicidade. Desejei não viver mais momentos felizes ao lado de alguém. Tratei de esquece-lo. E quando estava finalmente me livrando da obsessão e das lembranças, a vida decidiu que era hora de nos reencontrarmos.
A alegria no olhar, o abraço inesperado e sem jeito e a desenvoltura na conversa como nunca havia ocorrido antes. A confiança ao ouvir “eu te procurei em todos os lugares”. A certeza de que o tempo trouxe amadurecimento. Éramos os mesmos e, ao mesmo tempo, tão diferentes. A solidão tem dessas coisas, nos faz entender o que antes não havia sentido, nos faz ter calma diante do inesperado e nos faz, mais uma vez e sem ao menos nos darmos conta, deixar a oportunidade passar novamente, já que estamos tao habituados à sua única companhia.
Parece que o ciclo então recomeçou e eu não posso acreditar que tudo esteja se repetindo. E a vida grita com ainda mais força exigindo uma atitude quando estou mais distraída, sem me dar sequer oportunidade de resposta, me forçando a aprender que é preciso coragem diante de oportunidades que podem ser únicas.
Parece que o ciclo então recomeçou e eu não posso acreditar que tudo esteja se repetindo. E a vida grita com ainda mais força exigindo uma atitude quando estou mais distraída, sem me dar sequer oportunidade de resposta, me forçando a aprender que é preciso coragem diante de oportunidades que podem ser únicas.
Ele sumiu de novo e nós nos perdemos nessa cidade que sabe ser grande quando decide separar pessoas por detrás de sua rotina caótica. Nos perdemos em nossa vontade de nos reencontrarmos. Nos perdemos sem previsão nem carta geográfica. E talvez eu encontre então um grupo de inquietos como eu que aceite discutir madrugada adentro ao som de qualquer jazz antigo, bebendo vinho barato em um pub da cidade que dorme. Mas, enquanto isso, eu me entrego à uma realidade totalmente fictícia, em que não é possível encontrar nada que seja verdadeiro, intenso ou profundo mais do que dois palmos.
Sigo assim sem seu olhar, suas perguntas, seu sorriso. E me contento em te aceitar quando a vida julgar oportuno. E me revolto por ela me tratar com tamanho descaso e contesto a imposição de um tempo que não condiz com a minha vontade de, enfim, te reencontrar.
domingo, 13 de dezembro de 2009
A falta
É melhor a gente não se falar mais. Foi assim que decidi milhares de vezes. Mas a saudade, as lembranças e a falta não me deixam cumprir a proposta que foi feita por mim mesma. O tempo prometeu curar, aliviar, tornar as coisas mais leves. E, vez por outra, até chego a acreditar que é possìvel nao pensar em meio à minha nova rotina, à minha nova vida, às minhas novas ocupações. Pura ilusão achar que seria fácil, achar que duraria pouco, achar que a dor não seria fiel.
A solidão nao é ocasional, nem poderia ser. É consequência exposta do que passa aqui dentro. Do espaço que não está livre, que não está pronto para ser ocupado, que não admite que um dia algo possa ser tão bom como já foi. Não existe promessa para retomar o que já se foi. E, à parte isso tudo, vem a raiva. Raiva da vida por ser como é mas, principalmente, raiva de você, por nao ter percebido a tempo que eu partiria. Raiva por você ter admitido que tudo acontecesse como aconteceu. Raiva por ter lhe avisado tantas vezes e você nao ter me escutado.
Chego a achar bom que tudo tenha esse peso. Chego a desejar talvez que tudo se torne ainda mais pesado. Quem sabe assim você aprende, quem sabe assim você mude, quem sabe assim ainda exista uma maneira de tudo ser de novo como foi um dia.
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